Postagens

Tabus sociais no mundo atual

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Não é preciso muito. Uma simples passagem por postagens, comentários e discussões presentes  nas redes sociais é suficiente para observar o quanto o Senso Comum ganhou holofotes nos debates político, religioso, moral e econômico. Embora o conhecimento científico seja clamado rotineiramente por esses mesmos debates, apresenta-se, em sua grande maioria, apenas como um suposto argumento para sustentar a própria opinião ou posicionamento. Nota-se, no entanto, que não há uma clareza sobre o que realmente vem a ser o conhecimento científico, desconhecimento este que resulta na banalização da própria ciência. Nada tenho contra o Senso Comum. Muito pelo contrário. É nele que toda a minha capacidade de conhecimento e reflexão teve origem. Ninguém pode se tornar um bom filósofo, cientista, artista ou religioso sem antes passar pelo Senso Comum. É a porta de entrada para o conhecimento humano; por isso não deve ser desvalorizado. Em muitas ocasiões, para que haja boa aplicação crítica do conh...

Quando a arte enfrenta o sofrimento

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 O alemão Arthur Shopenhaeur (1788-1860) é conhecido como um filósofo pessimista, pertencente também ao grupo conhecido como "Filósofos da Suspeita". Embora taxado de maneira negativa, a forma como aborda a existência humana é bastante profunda e reveladora. A meu ver, a filosofia de Schopenhauer revela traços característicos da natureza humana ainda pouco compreendidos. Arthur Schopenhauer (1788-1860). Obra de domínio público; autor desconhecido. Vale o destaque para a obra "O Mundo Como Vontade e Representação", publicada em 1819 e composta por quatro volumes, onde ele aborda o mundo dos fenômenos como produto de uma insaciável, viciosa, e cega vontade metafísica.  O objetivo deste texto não é produzir um tratado filosófico, de leitura compreensível apenas aos iniciados no assunto. Por este motivo, desenvolverei, em poucas palavras a filosofia que mais atrai a minha reflexão no campo proposto.  Referências históricas Para mergulhar no assunto, cabe antes um esclar...

Toxidade nas Redes

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  Ler e acompanhar notícias publicadas e compartilhadas em rede sociais é hoje um exercício exaustivo de tolerância. Publicações que costumam vir acompanhadas de comentários tóxicos e bastante agressivos. E olha que não são poucos.  https://pxhere.com/pt/photo/1574659?utm_content=shareClip&utm_medium=referral&utm_source=pxhere Pode-se até tentar, mas não é fácil ignorar. Há sempre um posicionamento revoltoso nos comentários relevantes que desperta indignação até mesmo nas mais doces e inocentes almas.  Armadilha perfeita para despertar as mais bárbaras e violentas reações que um "cidadão de bem" é capaz de ter. Quando menos se percebe... Surge então uma nova reposta que faz o clima esquentar ainda mais. É fogo no parquinho. Há, apesar do degaste, um benefício inegável para quem publica: engajamento que fortalece algorítmos. Xingar, ofender, mentir, falsear, tudo vale para alimentar a configuração responsável por ampliar o alcance de cada publicação. Como diz o dit...

Falácias do Discurso

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Em nova projeção anunciada pelo Ministério da Economia na última semana, o possível fim da isenção de impostos no comércio editorial foi informada com o argumento de que a isenção afeta apenas os mais ricos, já que, segundo o Ministério, os mais pobres não consomem livros não didáticos.  Imagem/Dilgação: Pixabay/NWimagesbySabrinaEickhoff O argumento é, no mínimo, curioso. De fato, não há como negar que o investimento na leitura é mais frágil e, em muitas situações, inexistente nas famílias mais pobres. Mas dizer que a tributação de livros é justificável porque os mais pobres não compram livros é, no mínimo, uma cusparada na cara dos brasileiros. Argumento frágil, sustentado em diversas lacunas, e que ainda reforça a falsa ideia de preguiça por parte dos mais pobres. Só faltou dizer: os pobres não leem porque não querem; por isso são burros. Ainda mais preocupante é saber que esse discurso não causa estranheza ou indignação por grande parte da sociedade. Muitos foram os comentários ...

O que as Distopias têm a nos ensinar?

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Sou um leitor apaixonado por distopias. Alguns dos nomes preferidos do meu do meu acervo de leituras são: "1984" (1949) e Revolução dos Bichos (1945), do pseudônimo inglês George Orwell, Admirável Mundo Novo (1932), de escritor inglês Aldous Huxley, e, mais recentemente, Fahrenheit 451 (1953), do Norte-Americano Ray Bradbury. Leituras que fascinam, mas que também entristecem. Entristecer-se; eis um suposto crime ou pecado condenável pelos fictícios mundos destas obras. Histórias que foram escritas ainda na primeira metade do Século XX, mas que parecem retratar com maestria a sociedade do século XXI. Para os escritores da época, não passavam de projeções futurísticas das sociedades a partir do presente por eles vividos. Toda previsão nada mais é que uma antecipação do futuro. Antecipação que pode conter erros e acertos. Admira-me a precisão com que estas previsões acertaram em cheio. Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo  pseudônimo George Orwell, autor  dos conhecidos livros...

Dias Amargos

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  Imagem: enriquelopezgarre/pixabay 312.299 óbitos. Essa é a triste marca atingida neste 28/03, um ano após o início da Pandemia do COVID-19. Ao que tudo indica, estamos distante do fim.  O que mais entristece é saber que esta é uma Pandemia com forte potencial de ser controlável. Prova disso é que alguns países já dão sinais de controle sobre a Pandemia que não os poupou de viverem o pesadelo. Pois é, ninguém foi poupado. Mas alguns países dão sinais de superação. Infelizmente esse não parece ser o nosso caso. Foram cinco recordes na média móvel de mortes nos últimos sete dias, e as previsões para os próximos dias não são nada animadoras. Se continuarmos neste compasso, podemos ultrapassar com facilidade a marca de 600.00 mortes ainda este ano. Dentre eles, poderão estar eu, você, nossos pais, filhos, amigos, etc. Mas, o que fazer para que essa catástrofe não ocorra? Essa é uma pergunta de difícil resposta, pois a situação chegou a um ponto de que não deveria ter chegado...

Um ano de COVID-19. Como foi que tudo começou mesmo?

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Há um ano vivemos esse pesadelo chamado "COVID-19". Desde então, nossas vidas viraram "de pernas para o ar". No início, parecia controlável. Alcançou um Pico entre os meses de julho e setembro do ano passado, dando sinais de melhora e possível recuperação econômica nos meses de outubro e novembro. Ficamos otimistas, aguardando o início de 2021, com esperança de dias melhores. Mas os frequentes alertas dado por autoridades de saúde em relação as festas de fim de ano já apontavam o que estaria por vir. O temido aconteceu. O caos tomou conta. O sistema de saúde encontra-se em crescente colapso, e o crescimento diário de novos casos e internações é maior que qualquer medida de criação de novos leitos. As mortes crescem aos montes, e parte dos curados vivem com constantes pesadelos marcados por lembranças atormentadoras ou sequelas que os acompanharão por muito tempo.  Os profissionais de saúde encontram-se mergulhados em um esgotamento físico-mental que, a qualquer mome...

Polêmicas e contradições do Ensino Religioso nas Escolas

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovar o Ensino Religioso de natureza confessional nas escolas públicas acrescentou mais um capítulo na histórica polêmica deste assunto. Ao que parece, estamos longe de chegar a uma conclusão coletiva.  Nas redes sociais digitais, o assunto ganhou força. Em poucos dias, incontáveis homens e mulheres de diversas regiões, religiões e idades, se manifestaram sobre o assunto. Ainda bem, pois o livre pensamento é um direito assegurado a todo e qualquer cidadão e cidadã pela Constituição Federal. Mas, apesar do pleno exercício desta liberdade, parece que consenso não é alcançado principalmente pela falta de conhecimentos aprofundados sobre o assunto. É fato que o país tem sérias dificuldades para lidar comeste tema, e não é de agora. A dificuldade é até compreensível, pois a história do Brasil não é muito favorável. Para começar, há muito mais tempo de colônia do que de independência. Se consideramos que a descoberta do Brasil ocorre...

Paradoxos de "La Bête"

A performance do artista Wagner Schwartz no Museu de Arte Contemporânea (MAM) de São Paulo no dia 26/09 causou grande repercussão na rede mundial de computadores, e fez lembrar da polêmica exposição "Queermuseu", promovido pelo Santander em Porto Alegre/RS. Ambas as exposições têm em comum fortes críticas feitas por internautas após parte de seus acervos serem expostos nas redes sociais. Muito se escreveu desde então, e nunca se debateu tanto sobre os limites da arte como nos dias atuais. Não há nenhuma novidade no fato de produções artísticas serem inspiradas por questionamentos e paradoxos da sexualidade, mas a repercussão gerada por esse tipo de obra é realmente inédito. Peças que envolvem nudismos são relativamente comuns, e muitas exerceram grande importância para estimular a crítica social. Destaque para duas performances: a peça teatral "Navalha na Carne" (1967), de autoria do brasileiro Plínio Marcos (censurada pelo Governo Militar), e a performance R...

Terrorismo político-eleitoral

O sistema eleitoral brasileiro esconde uma grande falácia no discurso do direito de voto. Temos a liberdade de votar em candidatos e partidos de nossas preferências, e não há como negar que esse direito é de grande valia. O problema é que, da mesma forma que posso me identificar com alguma das opções oferecidas pelo pleito, também posso não me identificar com nenhuma delas, mas esse é um direito que o sistema eleitoral não permite. Mesmo que eu não goste de nenhum dos candidatos a disposição para o meu voto, sou obrigado a votar em alguém para que meu voto tenha validade. E o voto nulo? Bem, confesso que essa foi uma alternativa da qual optei em diversas situações. O mais frustante em adotá-lo é saber que ele não tem validade, e que, ao escolhê-lo, minha voz simplesmente deixa de ser ouvida e passo a pertencer a mais um dentre tantos brasileiros que se calam diante da realidade. Vejo-me então numa encruzilhada: votar nulo porque não consigo encontrar uma boa opção em nenhuma das al...

Mesmice à vista

A Reforma do Ensino Médio via Medida Provisória vem incomodando muita gente. Apesar da novidade, o debate é antigo, e esta não é a primeira reforma a ser realizada desde que o Ensino Médio revelou ser um problema sem solução. Mal começou, e o governo age rapidamente com reformas em diferentes setores da sociedade. Entre elas, está a reforma do Ensino Médio. De um lado, reforma que sabemos ser necessária, mas, de outro lado, reforma que assustam pela verticalidade e imediatismo em que é implantada. Todos sabemos que o Ensino Médio não anda bem. Sabemos também que essa não é uma realidade que veio do nada e que surgiu de repente. É consequência de anos (décadas, talvez séculos) de atraso, e não de uma ou outra gestão mal feita. Apesar das velhas e conhecidas promessas, entra governo e sai governo, a coisa só piora. Problemas de longa data só podem ser resolvidos se tratados a longo prazo. Exigem planejamento, estudos rigorosos, debates contínuos com agentes envolvidos, avaliações...

Salvem os jumentos

Embora enfrentada com maior força pelo Partido dos Trabalhadores, a crise atual não se resume apenas a esse partido, mas ao sistema político como um todo. A única diferença é que, por estar na linha de frente do sistema por um tempo considerável, o Partido dos Trabalhadores tem sido o primeiro partido a levar porrada. Outros partidos têm enfrentado crises semelhantes, com a diferença apenas de não serem tão noticiados e escandalizados pelos holofotes midiáticos. Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, é preciso admitir que o problema é muito mais profundo. Longe de querer defender nomes ou orientações partidárias, é preciso fazer uma avaliação rigorosa não só da atuação deste ou daquele grupo, mas do sistema político inteiro. Convenhamos: o fracasso do PT não é do PT, mas do sistema propriamente dito . Estamos no século XXI, mas ainda vivemos a política do início do século XX. Durante o encerramento da sessão que resultou no impedimento da ex presidente da República...